Blog Eleições 2008
26 de outubro, às 03:42

O emprego que só ele quis

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Em 5 de outubro passado, 10 mil veranopolitanos saíram de casa e deram seu voto para reeleger Waldemar de Carli (PMDB), um gaúcho de Nova Prata, casado, com 55 anos, diploma de nível superior e R$ 40 mil no banco.

É fácil entender por que de Carli quis voltar a comandar os 380 funcionários da Prefeitura de Veranópolis. O município da serra Gaúcha, além de razoavelmente rico, tem, para os padrões brasileiros, poucos problemas. Seu PIB per capita em 2004 foi de R$ 21,5 mil, 40% da população tem emprego formal e o dinheiro depositado nos bancos da cidade chega a R$ 1 bi.

Os alunos de Veranópolis têm um desempenho no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação) bem acima da média dos municípios brasileiros. A taxa de alfabetização beira os 100%. Há poucos pobres. A violência não é nada ameaçadora (7 assassinatos nos últimos 10 anos) e quase ninguém morre de doenças infecciosas. Na verdade, trata-se de um município com alto desenvolvimento humano (IDH de 0,85).

O difícil é entender por que apenas de Carli se candidatou ao cargo de prefeito da cidade. E não foi só lá. O mesmo ocorreu em mais 29 municípios gaúchos, o Estado onde as candidaturas únicas foram mais freqüentes nesta eleição. Veranópolis, com cerca de 24 mil habitantes e pouco mais do que 17 mil eleitores, é o maior deles.

Não se trata de uma excentricidade gaúcha. O fenômeno se repetiu em outros 15 Estados, num total de 127 municípios brasileiros. Atingiu cidades com perfis variados, da Amazônia ao sertão nordestino, passando pelo interior paulista, montanhas mineiras e campos paranaenses. Em todos, a única coisa em comum foi que os eleitores não tiveram opção no 1º turno: só havia um candidato cujo número podia ser digitado na urna. E o eleito foi o único que quis ser prefeito.

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  1. Rodrigo » Postado em: 26 de outubro, às 21:18

    Achei meio fora do foco alguns comentarios em relação a materia,
    salario minimo?
    votos nulos?

    apenas diz que houve apenas 1 cantidato porque é uma otima cidade, e como foi citado uma renda per capita de 21mil, quem for prefeito vai ser pobre.

  2. Jerônimo Natan de Mendonça » Postado em: 26 de outubro, às 16:39

    Deveria ser assim no Brasil todo; pois o ideal seria um salário mínimo para todos que se abilitasse aos cargos políticos.

  3. Olympio » Postado em: 26 de outubro, às 13:10

    Deveria concelar as eleições e investigar o desinterece do povo, provavelmente pela corrupção desenfreada começando por BRASILIA. Reforma política já.

  4. Helio » Postado em: 26 de outubro, às 11:56

    O problema é que infelizmente não é divulgado nem pela mídia nem pela justiça eleitoral nas campanhas pre-eleições que o eleitor tem o direito de votar nulo, e ninguem explica como. Se o cidadão esta satisfeito com o atual prefeito, que assim seja. Mas se não esta ele pode sim impugnar a candidatura, pois o voto nulo não é contabilizado para nehum candidato inscrito, desde o numero de votos nulos atinja uma porcentagem prescrita pela legislação. Não estou fazendo apologia deste tipo de voto, mas se é um direito por que não é divulgado? Aliás, para quem quiser saber, o voto nulo é muito simples. digite o numero 00 (por exemplo, mas pode ser um numero que não corresponda a nenhum candidato. A urna vai “reclamar” e dizer que houve um erro. Se você insistir e confirmar ele vai indicar “voto nulo”. Uma pergunta, só para entender, se existe a opção “em branco”, qual a complicação tecnologica de incluir a opção “nulo”?.

  5. mario montini » Postado em: 26 de outubro, às 07:21

    Ora,muito fácil entender esse fenômeno meu caro jornalista;Num município com esse perfil,você precisaria de mais políticos pra quê?

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José Roberto de Toledo é jornalista, diretor da PrimaPagina e coordenador da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo)