Blog Eleições 2008

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Contrariando as expectativas anteriores, o Ibope aponta que haverá 2º turno em Belo Horizonte: os 45% dos votos válidos do líder Márcio Lacerda (PSB) são insuficientes para decidir a eleição já neste domingo, mesmo levando-se em conta os três pontos percentuais de margem de erro da pesquisa (ele precisaria de 50% mais um voto dos válidos para se eleger neste domingo). Pelo Datafolha, a tendência é a mesma, embora os 48% obtidos pelo candidato de Aécio Neves (PSDB), Fernando Pimentel (PT) e Lula ainda lhe permitam sonhar com a eleição antecipada, graças à margem de erro.

Se a necessidade de mais um turno se confirmar nas urnas em Belo Horizonte, a causa terá sido, principalmente, o estilo de comunicação adotado pelo candidato do PMDB, Leonardo Quintão. Falando em “mineirês” com uma desenvoltura que disfarçava o teleprompter, o azarão do pleito mineiro parece ter conseguido uma conexão direta com o eleitor. Isso se refletiu em um salto de 27% para 35% dos votos válidos (Datafolha) nos quatro últimos dias de campanha.

Diretor do Datafolha, Mauro Paulino identificou no estilo de Quintão o mesmo tipo de discurso direto e a mesma linguagem popular do presidente Lula. Ainda que não seja eleito, o candidato do PMDB vai virar um “case” para os comunicólogos e marqueteiros.

Quem quiser ver sua performance pode procurar no YouTube.

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  1. Joao batista » Postado em: 6 de outubro, às 00:15

    Podemos acreditar que o povo esta apredendo a votar, nao podemos votar em um canditado só porque o Governador e o Prefeito apoia ele… ele tem que ter propostas claras… mas ele ficou todo tempo com o mesmo “Bordão” “… vou continuar as obras…” isto não é proposta é um obrigaçào do futuro prefeito, conforme a Lei. Por isto acho que foi um show de democracia que o povo de Belo Horizonte deu para todo Brasil. Parabens ao povo de Belo Horizonte!!!!

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O horário eleitoral na TV e no rádio foi decisivo nas eleições no Rio e em São Paulo. Os candidatos com mais tempo de TV, em ambas as cidades, foram os que mais cresceram nas pesquisas de intenção de voto: no Rio, Eduardo Paes (PMDB) saltou de 9% para 29%; em São Paulo, Kassab (DEM) foi de 13% para 27%. Numa contabilidade simples, o carioca leva vantagem: ganhou quase 3 pontos percentuais por minuto de TV, enquanto o paulistano cresceu pouco mais de 1 ponto percentual por minuto.

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  1. chico mendonça » Postado em: 3 de outubro, às 17:19

    Caro Zé,
    O blog tem sua cara: inteligente, analítico e esclarecedor. Parabéns! Sobre esta nota, chamo sua atenção para o Márcio Lacerda, aqui em BH. Ele tinha 6% das intenções de voto e passou para 40% depois de iniciada a campanha eletrônica. Era um desconhecido. Torço para que o blog continue, mesmo que sobre outro tema. Afinal, poucos jornalistas conhecem tanto de pesquisa, investigação e análise no país. Grande abraço.

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Três fatores contribuíram para que Kassab subisse com o horário eleitoral: 1) foi hábil para montar uma base de apoio que lhe garantiu muito mais minutos de TV do que seus adversários, 2) com o tempo a mais, fez uma eficiente propaganda de sua gestão como prefeito (49% de aprovação no Datafolha, mesmo que para isso tenha sublocado projetos de terceiros), 3) criou uma imagem pessoal positiva, e demonstrou vontade de ser prefeito.

Por sua vez, seu principal adversário na busca por uma vaga no segundo turno, Geraldo Alckmin, não conseguiu nem sequer unir o PSDB em torno de sua candidatura (1 em cada 3 tucanos declaram voto no adversário), teve um início de programa eleitoral débil (que levou a uma intervenção na equipe de marketing), e não conseguiu apagar a imagem de “picolé de chuchu”: continua com baixa rejeição, mas só 13% dos eleitores acham que ele é o que mais demonstra vontade de ser prefeito, contra 25% dos que apontam Kassab.

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Se for para o segundo turno contra Marta Suplicy (PT), Gilberto Kassab (DEM) deveria pagar um jantar para os responsáveis por seu programa de TV. O atual prefeito paulistano multiplicou seu percentual de intenção de voto depois que a propaganda eleitoral entrou no ar (foi de 11% para 27%, pelo Datafolha). Mas não foi só isso.

Até a penúltima pesquisa Datafolha (na última essas questões não foram pesquisadas), Kassab era o candidato com o programa mais bem avaliado (32% dos eleitores acham isso, oito pontos percentuais a mais do que sua intenção de voto à época), sua intenção de voto era muito maior entre os que viram (26%) do que entre os que não viram (17%) o horário eleitoral; a nota para sua gestão era maior entre os que viram a propaganda na TV (chega a 6,3, contra 5,8 entre os que não viram). Como se não bastasse, 1 em cada 4 eleitores que assistiram ao horário eleitoral acham que o governador José Serra (PSDB) está torcendo por ele, e não para o candidato do seu partido…

Ao mesmo tempo, Marta deve sair do mesmo jeito que entrou (de 36% para 35%) e Geraldo Alckmin (PSDB) vai dizer graças-a-deus quando a campanha eletrônica terminar. O tucano começou o horário eleitoral com 32% e está terminando com 19% das intenções de voto.

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Primeiro foi a Marta. Passados alguns dias, veio o Alckmin. Mais próximo o dia do pleito, mais ligações. Até que um dia atendi o telefone de casa, quase às 22h, e ouvi o Lula do outro lado da linha. Não me contive e, antes de descobrir o que ele queria, passei o gancho para quem estava ao meu lado. Não, caro internauta, não estou delirando, muito menos me tornei oráculo de políticos. Era telemarketing mesmo.

Se o paulistano se livrou nesta eleição da poluição por faixas e cartazes, o assédio telefônico nunca foi tão persistente. Toca o aparelho e lá vem aquela gravação automática da voz do candidato pedir seu voto. O curioso é que as prestações de conta parciais das principais campanhas para prefeito em São Paulo não trouxeram, até agora, nenhum tostão gasto com telemarketing. Será que me enganei e eram os candidatos e o presidente em pessoa me ligando?

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  1. Clara, de São Paulo » Postado em: 2 de outubro, às 19:36

    quem paga as operações de telemarketing dos nossos amigos?

  2. internauta_furibundo » Postado em: 2 de outubro, às 19:38

    eh isso aih. nem atendo mais telefone em casa.

  3. LÚCIA » Postado em: 2 de outubro, às 19:41

    SEM COMENTÁRIOS
    ABÇ
    LÚCIA

  4. Paulo Ragassi » Postado em: 2 de outubro, às 19:48

    Meu caro, não foi só o telemarketing eleitoreiro que tivemos que aguentar neste primeiro turno, mas também corespondencias com santinhos, emails com a biografia do candidato e suplicando o nosso voto. A esses candidatos que utilizaram este tipo de propaganda eu jamais darei meu voto!

  5. solitário » Postado em: 2 de outubro, às 19:49

    eu fico feliz com os telefonemas. pelo menos alguém me liga.

José Roberto de Toledo é jornalista, diretor da PrimaPagina e coordenador da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo)